Inauguração de mina no Pará abre caminho para Vale no setor de cobre

O Globo, Economia, p.19 - 28/06/2004
Inauguração de mina no Pará abre caminho para Vale no setor de cobre

Ismael Machado

CANAÃ DOS CARAJÁS, Pará. Com um investimento de cerca de R$ 1,2 bilhão, a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) inaugura no próxima sexta-feira a mina do Sossego, na cidade de Canaã dos Carajás, no Pará. É o primeiro empreendimento da empresa no setor de cobre, com previsão de operar a plena capacidade produzindo anualmente 140 mil toneladas de cobre em concentrado (o minério efetivamente comercializado pela empresa) já a partir deste segundo semestre. A inauguração da nova mina terá a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A Vale anunciou que pretende investir R$ 6 bilhões no complexo de cobre até 2010, com produção estimada em 650 mil toneladas/ano. A aposta da empresa é se consolidar no mercado internacional como a primeira multinacional brasileira a assumir a ponta na extração de concentrado de cobre.
Projeto trará economia de R$ 500 milhões para o país
Estão hoje em andamento cinco projetos de exploração do cobre na região de Carajás, o que deve fazer circular nos municípios próximos volume de recursos até seis vezes maior do que o atual na cidade de Parauapebas, com a exploração do minério de ferro. Só no Projeto Sossego, que é o primeiro, a previsão é de que circulem cerca de R$ 650 mil por mês em toda a região de Carajás.
Com os cinco projetos de cobre em funcionamento a todo vapor a partir de 2008, a Vale produzirá mais do que o dobro do que o Brasil tem de importar de cobre todos os anos (cerca de 300 mil toneladas). Isso significa algo em torno de R$ 500 milhões que o país deverá deixar de gastar com importações a preços atuais.
Antes mesmo de inaugurar oficialmente a mina, a Vale já começa a tirar proveito do projeto. Já foram feitos dois embarques para a Europa, totalizando 33 mil toneladas de cobre comercializadas.
- Nossa previsão é que em cerca de três anos, com a ativação de outros projetos em Carajás, o Brasil se destaque como um dos principais produtores e exportadores mundiais - diz o gerente-geral de Planejamento e Controle de Qualidade da empresa, Marcio Luís Silva Godoy.
Ao contrário de investimentos passados, desta vez a Vale tomou o cuidado de investir inicialmente na cidade que abriga o pólo do minério. Canaã dos Carajás, pequeno município que nasceu de um assentamento, tem aproximadamente 17 mil habitantes. A cidade recebeu R$ 12 milhões para a formação de mão-de-obra local para trabalho na mina e mais R$ 39 milhões em infra-estrutura, com a construção de uma rede de água e esgoto.
- Não queremos criar uma relação de dependência da cidade com a mineração - diz o gerente-geral de Suportes de Operações de Projetos Sociais, Alexandre Moura.
Empresa quer que município descubra outros potenciais
Como a mina tem um tempo previsto de atividade estimado em 17 anos, a Vale quer que o município descubra sua própria potencialidade. A mina do Sossego deverá empregar 500 pessoas, sendo que 70% delas são moradores locais.
- Para isso estamos criando dois pólos de educação na cidade, em parceria com a Universidade Federal do Pará - diz Moura.

Companhia foi multada em R$ 2 milhões
CANAÃ DOS CARAJÁS, Pará. Se de um lado a Vale do Rio Doce comemora a possibilidade de fazer com que o Brasil deixe de ser importador e passe a exportar cobre, por outro a empresa tem que lidar com acusações de crime ambiental na área de exploração do minério. O Ibama autuou a empresa em R$ 2 milhões pelo lançamento de rejeitos na área da Floresta Nacional de Carajás.
O resíduo foi lançado ao solo sem qualquer tratamento prévio para reduzir sua composição agressiva em uma área maior do que a que havia sido delimitada pelo Ibama.
- Nós estamos obedecendo agora ao termo de ajuste de conduta como nos foi indicado pelo Ibama - explicou o gerente Marcio Godoy.
Apesar disso, os efeitos sociais do projeto já começam a ser sentidos em Canaã dos Carajás. Até três anos atrás, a taxa de emprego era de 1%. Atualmente, é de 17%. Além disso, cada emprego direto criado pela Vale gera cerca de três indiretos. (Ismael Machado)

O Globo, 28/06/2004, Economia, p. 19
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