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O Globo, Economia, p. 30
17/12/2016
Vale inaugura hoje projeto de US$ 14,3 bi no Para

Vale inaugura hoje projeto de US$ 14,3 bi no Pará

DANIELLE NOGUEIRA
Enviada especial danielle.nogueira@oglobo.com.br
A repórter viajou a convite da Vale

Com expansão, estado vai superar em 2019 Minas Gerais como maior produtor de minério
A Vale inaugura hoje o maior projeto de minério de ferro da sua história e da indústria mundial da mineração: a expansão do complexo de Carajás, no Pará, orçado em US$ 14,3 bilhões e que vai adicionar 90 milhões de toneladas de minério de ferro por ano à capacidade de produção da companhia, quando chegar à plena operação. O S11D carrega outros marcos importantes. Por volta de 2019, o Pará deve assumir a liderança na produção de minério de ferro da Vale, desbancando Minas Gerais, berço da mineradora. Para especialistas, a situação criará novas demandas sociais e políticas com as quais Vale e governos locais terão de lidar.
No Pará, o desafio passa pela oferta de trabalho a quem perdeu emprego após o fim das obras e ampliação dos serviços públicos para os que permanecerem em Canaã dos Carajás, onde fica o projeto, a 580 km de Belém. Teme-se ainda que a Floresta Nacional de Carajás possa ser alvo de garimpo, caça e roubo de madeira pelos que não encontrarem trabalho. No pico das obras, 15.700 trabalharam diretamente na implementação da mina e da usina, quase a metade dos 34.853 habitantes estimados pelo IBGE para Canaã, em 2016.
Em Minas, cidades que já sofrem com perda de receita - com a queda no preço do minério de ferro, o fechamento de minas improdutivas e o acidente da Samarco - preocupam-se em como depender menos da mineração, que responde por 8% do PIB do estado. A perda do status de principal polo produtor da Vale também deve elevar a pressão política sobre a empresa. A bancada mineira do PMDB faz forte articulação para tirar Murilo Ferreira da presidência da Vale.
- A Vale é uma empresa privada que atua sobre patrimônio do estado. O problema é que o produto que ela explora só tem uma safra, é finito. Por isso, deveria haver uma compensação social, ambiental e econômica maior. Ficará apenas um buraco para os mineiros - diz o deputado federal Newton Cardoso Júnior (PMDB-MG).
430 MILHÕES DE TONELADAS DE PRODUÇÃO TOTAL
Nos primeiros nove meses de 2016, a Vale produziu 256,4 milhões de minério de ferro. Carajás respondeu por 42% do total. Em 2015, a produção paraense representara 36%. Na contramão, a parcela da produção em Minas caiu: de 62,4% em 2015, para 57,4% este ano. A Vale ainda tem minas de menor relevância no Centro-Oeste.
Com a entrada em operação do S11D, essa distância no volume de produção vai diminuir ainda mais. Estimativa apresentada pela Vale no fim de novembro indicam que, em 2019, o Sistema Norte - que vai reunir o atual complexo de Carajás e sua expansão (o S11D) - estará produzindo 218 milhões de toneladas por ano, para uma produção total estimada de até 430 milhões de toneladas, incluindo compras de terceiros. A partir desse ano, o Pará assume a liderança na produção do minério.
Devem estar presentes no evento de hoje a diretoria executiva da Vale e o presidente Michel Temer, além de autoridades locais.

O Globo, 17/12/2016, Economia, p. 30

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