As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos.

FSP
30/09/2002
Turismo chegara a reservas extrativistas

Ecoturistas interessados em conhecer a vida de comunidades de pescadores, seringueiros, catadores de coco e caranguejo, além de quilombolas, poderão experimentar o dia-a-dia desses grupos extrativistas em ambientes preservados a partir do próximo ano.
O Centro Nacional de Desenvolvimento Sustentado de Populações Tradicionais (CNPT), do Ibama, está realizando o Programa Estratégico de Incentivo ao Ecoturismo nas Reservas Extrativistas. Inicialmente o projeto atinge sete de 25 reservas do país, que somam uma área protegida de cerca de 5 milhões de hectares.
As reservas extrativistas, divididas entre as continentais e as marinhas, são unidades de conservação de uso sustentável. Nelas, as comunidades podem viver da extração equilibrada de recursos vegetais e animais. Nessas áreas, as famílias têm direito à terra e preservam o ambiente e sua cultura.
As comunidades de Lago do Cuniã (RO), Cajari (AP), Tapajós-Arapiuns (PA), Soure (PA), Lagoa do Jequiá (AL), Corumbau (BA) e Quilombo do Frechal (MA) estão sendo consultadas sobre a possível abertura ao ecoturismo, já que estão localizadas em áreas de grande beleza cênica e apresentam diferentes atrativos culturais. Apesar de ainda não ser oficialmente uma reserva, a ilha do Cajual (MA) faz parte do programa.
Segundo Gabriela Silva Noronha, gerente do programa de ecoturismo nas reservas extrativistas, são as comunidades que vão identificar se apresentam perfil para o ecoturismo. "Não queremos chegar com um pacote de ecoturismo para essas comunidades sem antes desenvolver um diagnóstico socioeconômico para checar a verdadeira vocação delas."
A gerente do programa explica que essas reservas extrativistas não têm infra-estrutura para receber visitantes atualmente. Algumas delas, como Cajari, têm alojamento do Ibama. Mas a idéia é que, em muitos desses locais, os ecoturistas fiquem hospedados nas casas dos moradores, para conhecer melhor seus costumes.
A maioria das reservas é de difícil acesso. Exemplo é Lago do Cuniã, que fica a cinco horas de barco, a partir de Porto Velho, pelo rio Madeira. Uma das atrações locais é o jacaré-açu, o gigante do Cuniã, réptil amazônico que atinge até 5 m de comprimento.
Já a comunidade de pescadores de Corumbau, na Bahia, está a duas horas e meia de carro de Porto Seguro, forte pólo turístico do Estado, e deve atrair um turista interessado em locais com praias paradisíacas. Assim como em outras reservas, lá ainda não chegou a energia elétrica.
A ilha do Cajual, em Alcântara (MA), reserva uma surpresa: um sítio paleontológico com fósseis de cerca de 95 milhões de anos. Para chegar à ilha, é preciso atravessar a baía de São Marcos em catamarã ou barco de pescador.