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www.algodoal.com.br
05/01/2010
Tartaruga Gigante encontrada na praia da princesa

Fotografias registradas no mês de abril de 2000 mostram uma tartaruga marinha conhecida como tartaruga-gigante, que foi encontrada na Praia da Princesinha, próximo ao Furo Velho, em Algodoal.

Essa espécie encontra-se classificada como CRITICAMENTE EM PERIGO nas listas vermelhas da União Internacional para a Conservação da Natureza (The World Conservation Union - INCU) e do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), de animais que encontram-se ameaçados de extinção.

Há muito, moradores e visitantes da ilha relatam que já ouviram ou presenciaram a matança de animais silvestres na APA de Algodoal/Maiandeua, inclusive de tartarugas-marinhas. Capturadas nos currais, nas redes de espera e nas praias tranqüilas da ilha, justamente no período da desova, elas são presas fáceis para a ação predatória do homem.

Sr. Wilson, freqüentador, amante e um dos maiores entusiastas da Ilha de Maiandeua, que teve o privilégio de capturar essas raras imagens, contou à redação do algodoal.com que aquela tartaruga somente foi salva graças à interferência de algumas pessoas, pois muitas já estavam com faca e panela na mão. "Foi uma tarde de muita tensão. Os nativos ficaram divididos. Uns a favor, outros contra matarem o animal. Chegaram até a brigar por isso. Um verdadeiro horror! Mas, graças a Deus, prevaleceu o bom senso.", relatou aliviado.

Em relação à legislação ambiental, exceto em caso de necessidade, para saciar a fome do agente ou de sua família, matar animais silvestres, além de ser uma ameaça à vida das espécies em extinção, é considerado crime previsto na Lei dos Crimes Ambientais.

Segundo a Lei n° 9.605/98, configura-se crime:
"Art. 29. Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida:
Pena - detenção de seis meses a um ano, e multa.".

A pena prevista para esse tipo de crime ambiental ainda pode ser aumentada, caso seja praticado:
"I - contra espécie rara ou considerada ameaçada de extinção, ainda que somente no local da infração;
II - em período proibido à caça;
III - durante a noite;
IV - com abuso de licença;
V - em unidade de conservação;
VI - com emprego de métodos ou instrumentos capazes de provocar destruição em massa.".

Nesse episódio, caso o animal tivesse sido morto, seus algozes poderiam pegar até um ano e meio de detenção, mais multa, por ser considerada espécie rara, ameaçada de extinção e devido o local ser uma unidade de conservação (Área de Proteção Ambiental de Algodoal/Maiandeua, criada pela Lei Estadual n° 5.621/90).

Ficha técnica da Tartaruga-Gigante
Tartaruga-Gigante ou de-Couro(Dermochelys coriacea)

Nome Científico: Dermochelys coriacea
Nomes comuns: tartaruga-de-couro ou tartaruga-gigante
Status Internacional: Criticamente Em Perigo (classificação da IUCN)
Status no Brasil: Criticamente Em Perigo (lista de espécies ameaçadas do IBAMA)
Distribuição: todos os oceanos tropicais e temperados do mundo
Habitat: principalmente alto-mar, sendo eventualmente encontrada em baías e estuários
Tamanho: até 2 metros de comprimento curvilíneo de carapaça
Peso: 500 kg em média, podendo atingir até 700 kg
Casco (carapaça): composto por uma camada de pele fina e resistente e milhares de placas minúsculas de osso, formando sete quilhas ao longo do comprimento; apenas os filhotes apresentam placas córneas, daí o nome popular: de-couro; a coloração é cinzenta-escura ou preta, com pontos brancos
Dieta: alimenta-se essencialmente de medusas
Estimativa mundial da população: 34.000 fêmeas em idade reprodutiva

Fonte: www.projetotamar.com.br

ENTREVISTA

Buscamos um especialista no assunto para que nossos leitores entendam um pouco do comportamento desses belíssimos animais e o que fazer para impedir sua matança. Vejamos a entrevista de Eduardo Lima, Coordenador Regional do Projeto TAMAR-IBAMA.

Atuando desde o ano de 1992 como Coordenador Regional do Projeto TAMAR-IBAMA, na base localizada na Praia de Almofala, a 242 Km de Fortaleza, litoral Oeste do Estado do Ceará, o Engenheiro de Pesca Eduardo Lima conversou com a redação do algodoal.com sobre o projeto.

algodoal.com - Fale aos internautas do algodoal.com como surgiu o TAMAR, qual sua missão, seus principais objetivos ou finalidades e quantas bases do projeto existem ao longo do litoral brasileiro.

Eduardo Lima - O Projeto TAMAR-IBAMA foi criado em 1980 após minucioso levantamento pela costa brasileira, quando foram percorridos em torno de seis mil quilômetros, desde o Estado do Rio de Janeiro até o Amapá, na divisa com a Guiana Francesa. O TAMAR tem como objetivos promover a conservação das tartarugas marinhas no Brasil, desenvolver e apoiar programas educativos na área ambiental, incentivar alternativas econômicas sustentáveis e outras ações de inclusão social nas comunidades pesqueiras onde atua. Atualmente o projeto possui 21 estações de pesquisa, em nove Estados brasileiros, a saber: Ceará, Rio Grande do Norte (Atol das Rocas), Pernambuco (Fernando de Noronha), Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.

algodoal.com - Quantas espécies de tartarugas marinhas existem no mundo e quais ocorrem no Brasil?

Eduardo Lima - Existem sete espécies de tartarugas marinhas no mundo, cinco delas ocorrem no litoral brasileiro, são elas: Caretta caretta (Linnaeus, 1758) - tartaruga cabeçuda), Chelonia mydas (Linnaeus, 1758) - aruanã, tartaruga verde, Eretmochelys imbricata (Linnaeus,1766) - tartaruga de pente, tartaruga verdadeira, Dermochelys coriacea (Vandelli, 1761) - tartaruga de couro, tartaruga caixão, Lepidochelys olivacea (Eschscholtz, 1829) - tartaruga oliva, xibirro).

algodoal.com - O fato de ter sido encontrada uma tartaruga marinha da espécie Dermochelys coriacea (tartaruga-gigante, tartaruga-de-couro ou tartaruga-de-pele) em Algodoal pode ser considerado como um acontecimento raro? Fale um pouco dos hábitos e da ocorrência desse animal no litoral do Brasil.

Eduardo Lima - No litoral brasileiro a tartaruga de couro (Dermochelys coriacea) é a espécie mais ameaçada, possuindo um número bem reduzido de fêmeas que se reproduzem no litoral norte do Estado do Espírito Santo, entre Comboios e Povoação. A temporada de reprodução se inicia em meados de outubro, com maior número de desovas ocorrendo nos meses de novembro e dezembro. A eclosão dos últimos ninhos se dá até o final do mês. A tartaruga de couro dificulta em muito um conhecimento mais aprofundado sobre seu comportamento e distribuição. A alimentação deste animal é preferencialmente águas-vivas, medusas e outros organismos gelatinosos em geral. No Brasil tem sido registradas capturas acidentais na pesca com espinhel pelágico de superfície e rede de deriva, de indivíduos juvenis, sub-adultos e adultos, tanto na ZEE como além da mesma, principalmente no sul do país. Registros de capturas e encalhes ocorrem ao longo de todo o país, com maior incidência em águas mais frias, entre os Estados do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. Nos Estados brasileiros mais ao Norte como Amapá, Pará e Ceará, os poucos registros que se têm conhecimento referem-se à captura acidental em artes de pesca regionais. A ocorrência de tartarugas de couro no norte do Barsil pode estar relacionada com a população desovante da Guiana Francesa, uma das maiores na América do Sul. Porém, para se precisar tal informação necessita-se de observações in loco, estudos de genética populacional, além de um longo programa de marcação dos animais visando a captura e recaptura para podermos, a partir daí, iniciar o processo de elucidação sobre a proveniência destes indivíduos que encalham na sua área de trabalho.

algodoal.com - Existem pesquisas ou estudos em andamento sobre tartarugas marinhas nesta parte do Litoral Brasileiro?

Eduardo Lima - Infelizmente não. A falta de recursos, o tamanho do litoral brasileiro e investimento em áreas comprovadamente prioritárias para a conservação das populações de tartarugas marinhas nos impede de chegarmos até os estados do norte do Brasil. Ultimamente, visando suprir essa lacuna, ou seja, atuar em áreas onde o Projeto TAMAR hoje não se encontra instalado, estamos buscando parecerias com universidades, ONGs entre outras, para nos apoiar no desenvolvimento dos trabalhos de proteção das tartarugas marinhas através da formação de uma rede de informações e repasse de dados qualificados.

algodoal.com - Além da ação antrópica, quais as principais ameaças à vida desses seres?

Eduardo Lima - As tartarugas marinhas são ameaçadas desde o momento da desova, quando seus ninhos ficam vulneráveis a predadores como raposas, cachorros e gatos que podem destruir os ninhos em busca dos ovos. Quando os filhotes nascem, no momento da corrida até o mar, ocorre normalmente a depredação de caranguejos e aves marinhas. Aqueles que conseguem chegar ao mar por serem muito pequenos são comidos por peixes carnívoros. Estima-se que de cada mil tartarugas nascidas apenas uma ou duas chega à idade adulta.Tartarugas marinhas juvenis e adultas têm uma certa segurança com relação a inimigos naturais. Embora certas vezes, fiquem com algum membro decepado, podem chegar a se recuperar. Outro fator que não pode ser esquecido são as doenças naturais que as tartarugas marinhas podem adquirir. Cito como exemplo a fibropapilomatose, doença debilitante de origem infecciosa, que pode levar à morte e acomete principalmente indivíduos da espécie Chelonia mydas (tartaruga verde). Mas, também, muitas outras podem a vir acometer o indivíduo como hipovitaminoses, infestações por vermes etc.

algodoal.com - Como o programa de Educação Ambiental do TAMAR poderia contribuir com o desenvolvimento das comunidades da Área de Proteção Ambiental de Algodoal/Maiandeua, no sentido de salvar estas espécies marinhas ameaçadas de extinção?

Eduardo Lima - Através da orientação de equipe qualificada para o desenvolvimento de programas educacionais voltados para a conservação das tartarugas marinhas na região.

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE TARTARUGAS MARINHAS
Atividades Diárias
As tartarugas marinhas são solitárias e permanecem submersas durante muito tempo, o que dificulta extremamente o estudo do comportamento. As décadas de pesquisa, entretanto, produziram introspecções úteis em atividades diárias, como cópula e postura.

Possuem visão, o olfato e a audição desenvolvidos, além de uma fantástica capacidade de orientação. Por isso, mesmo vivendo dispersas na imensidão dos mares, sabem o momento e o local de se reunirem para reprodução. Nessa época, realizam viagens transcontinentais para voltar às praias onde nasceram.
Fora da época reprodutiva, as tartarugas marinhas podem migrar centenas ou milhares de quilômetros. Podem dormir na superfície quando estão em águas profundas ou no fundo do mar, sob rochas, em áreas próximas à costa. Os filhotes flutuam na superfície durante o sono e geralmente mantém as nadadeiras dianteiras encolhidas para trás sobre a parte traseira do corpo.

Acasalamento
O acasalamento ocorre no mar, em águas profundas ou costeiras. A fêmea escolhe um entre vários machos e o namoro começa com algumas mordidas no pescoço e nos ombros. A cópula dura várias horas e uma fêmea pode ser fecundada por vários machos. A fecundação é interna e uma fêmea pode realizar em média de três a cinco desovas para uma mesma temporada de reprodução, com intervalos médios de 10 a 16 dias.

Desova e nascimento
No litoral brasileiro, as desovas acontecem entre setembro e março, com variação entre as espécies. Nas ilhas oceânicas (apenas a espécie Chelonia mydas), entre janeiro e junho. Os filhotes rompem os ovos e nascem após 45 a 60 dias de incubação em média.

Seleção de praias
Para desovar, as fêmeas procuram praias desertas e normalmente esperam o anoitecer, pois o calor da areia, durante o dia, dificulta a postura e, além disso, a escuridão da noite as protege de vários perigos. Quando a noite vem, as tartarugas escolhem um trecho da praia livre da ação das marés para construir a cama e o ninho.

Cama
Com as nadadeiras anteriores, escavam um grande buraco redondo, de mais ou menos dois metros de diâmetro (chamado de cama), onde se alojam para iniciar a confecção do ninho. Elas podem fazer várias camas, até escolherem uma para pôr os ovos.

Ninho e postura
Feita a cama, constroem, com as nadadeiras posteriores, um outro buraco para o ninho, que tem cerca de meio metro de profundidade. Esse comportamento de postura dos ovos varia um pouco de acordo com a espécie e com a área em questão, mas já se sabe que em uma única temporada de desova a mesma fêmea pode subir à praia para desovar até oito vezes, com intervalos que variam entre 10 e 16 dias.

Incubação
Depois da postura, a mãe volta para o mar. O que faz os filhotes se desenvolverem dentro do ovo é o calor da areia. Temperaturas altas (acima de 29 C) produzem mais fêmeas, temperaturas mais baixas (abaixo de 29 C) produzem mais machos.

Nascimento
Entre 45 e 60 dias após a fêmea colocar os ovos, estes se rompem para nascerem os filhotes. Em movimentos sincronizados, um filhote ajuda o outro, retirando a areia, até todos alcançarem a superfície do ninho e correrem imediatamente para o mar. A saída dos filhotes à superfície ocorre quase sempre à noite e para chegarem ao mar, eles se orientam pela luminosidade do horizonte. Mas uma chuva forte, provocando o resfriamento da areia, pode provocar a saída de uma ninhada durante o dia.

Sobrevivência
Os filhotes são pequenos e frágeis, medindo apenas cerca de cinco centímetros. Muitos são devorados por siris, aves marinhas, polvos e principalmente peixes. Outros morrem de fome e doenças naturais. Estima-se que, de cada mil tartarugas nascidas, apenas uma ou duas atingem a idade adulta. Mas, depois de adultas, poucos animais conseguem ameaçá-las, com exceção do homem.

Migração
As tartarugas marinhas são animais migratórios por excelência, viajando milhares de quilômetros entre as áreas de alimentação e as praias de desova. Devido a esta grande habilidade migratória, conseguem retornar a praia em que nasceram quando atingem a maturidade para se reproduzir.

Pesquisas para melhor compreender como as tartarugas marinhas migram tem sido foco de estudos realizados por cientistas durante décadas. Por serem animais altamente migratórios e poderem cruzar fronteiras de vários países, devem ser protegidos através de acordos de cooperação internacionais para que o esforço de conservação seja efetivo.

Ciclo de Vida
Após o nascimento, os filhotes emergem do ninho e correm para o mar, passando as horas seguintes nadando para regiões oceânicas, onde estão mais seguros de predadores e conseguem buscar alimento.

Durante um longo período, chamados pelos pesquisadores de "anos perdidos", não há praticamente nenhuma informação sobre o que acontece aos filhotes. Imagina-se que fiquem boiando entre algas ou vagando à deriva em mar aberto.

Após esse período, entram em fase juvenil, estando grandes o suficiente para retornarem às águas costeiras, onde permanecem, se alimentando e crescendo, até atingirem a idade adulta.
Ao atingirem a idade adulta e a maturidade sexual, provavelmente permanecem em uma área de alimentação durante toda a vida, exceto durante as temporadas reprodutivas, quando machos e fêmeas retornam à praia em que nasceram para o acasalamento e desova.

Navegação
Em mar aberto, as tartarugas marinhas encontram fortes correntes, e mesmo com estas limitações, são capazes de navegar regularmente por longas distâncias para encontrar suas praias de desova. Os mecanismos de navegação que as permite sempre reencontrar sua praia de desova são ainda um grande mistério, estudado por várias gerações de pesquisadores.

Uma nova teoria sobre como as tartarugas marinhas navegam sugere que eles são capazes de detectar o ângulo e a intensidade do campo magnético terrestre. Utilizando estas duas características, elas conseguiriam determinar sua latitude e longitude, e assim sua posição em mar aberto. Os primeiros experimentos parecem provar a habilidade das tartarugas marinhas em detectar esses campos magnéticos.

CURIOSIDADES SOBRE TARTARUGAS MARINHAS
Quantos anos, em média, vive uma tartaruga marinha?
O ciclo de vida desses animais é longo, podendo viver em torno de 100 anos, entretanto, seu tempo médio de vida gira em tono de 80 anos.

Elas sempre retornam à praia onde nasceram?
Sim, através de um senso que grava todas as condições temporais da praia de nascimento as tartarugas retornam a praia de origem para desovar, muitas vezes realizando viagens transcontinentais até chegar nessas áreas preferenciais.

Em quanto tempo elas alcançam a idade reprodutiva?
As tartarugas marinhas são animais de ciclo de vida longo. Sua maturação sexual ocorre entre 20 a 30 anos, variando em função da espécie e das condições de vida de cada animal.

Qual o intervalo de tempo entre os períodos de reprodução?
Durante uma temporada de desova, a mesma fêmea pode desovar várias vezes (geralmente de 2 a 8 vezes), é a chamada desova parcelada, sabe-se que esses animais possuem ciclos de desovas bi e tri anuais.