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ICMBio - www.icmbio.gov.br
02/10/2008
Pesquisadores do ICMBio estudam oncas pintadas que vivem na Chapada Diamantina

Uma expedição formada por pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa para a Conservação de Predadores Naturais (Cenap) e do Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD), na Bahia, irá instalar equipamento fotográfico para registrar a presença da onça pintada na região do parque. O trabalho de campo começa na segunda-feira (6/10) e conta com a parceria da Universidade Estadual de Feira de Santana, que enviará dois estudantes para integrar a equipe. A iniciativa é um passo importante para a implantação do projeto Corredor Ecológico da Caatinga.

Ao todo, 40 máquinas fotográficas com sensores infravermelhos serão implantadas em locais pré-determinados pelos pesquisadores. Eles ficarão em campo por dez dias, mas voltarão quinzenalmente para manutenção do equipamento. O biólogo e chefe do Parque Nacional da Chapada Diamantina, Christian Berlinck, explica que os dispositivos ficarão instalados por dois meses. "Inicialmente, trabalharemos em áreas nas quais existam registros e relatos que indicam a presença da onça pintada (panthera onca). O objetivo é descobrir o tamanho dessa população e catalogar a diversidade das espécies presentes na região, além de registrar a ocorrência de outros mamíferos que certamente serão flagrados pelo equipamento", diz o pesquisador.

O médico veterinário Ronaldo Gonçalves Morato, chefe do Cenap, que comanda a operação ao lado de Berlinck, lembra que é a primeira expedição dessa natureza realizada na Chapada Diamantina. Para ele, a interação entre os pesquisadores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade é fundamental para a troca de conhecimentos e soma de esforços para preservar a onça pintada. "Pretendemos identificar ainda se existe um fluxo de informações genéticas entre as espécies de onça que vivem nas diferentes unidades de conservação da região", relata.

Morato acrescenta que em uma segunda etapa, os pesquisadores voltarão a campo para rastrear as fezes dos felinos e analisá-las em laboratório. "Em um terceiro momento, colocaremos rádio-transmissores nos animais. Esse trabalho de campo faz parte dos procedimentos que nos possibilitarão implantar o projeto 'Corredor Ecológico da Onça da Caatinga', que estende-se desde a Floresta Nacional de Contendas do Sincorá, ao Sul do PNCD, até os parques nacionais da Serra da Capivara e da Serra das Confusões, abrangendo o norte do território baiano e parte do estado do Piauí", adianta Morato.

A onça pintada é um animal solitário, de hábitos noturnos, que pode pesar de 35 a 130 kg. Os indivíduos da espécie se juntam em casais apenas na época reprodutiva. Infelizmente, poucos estudos sobre sua área de ocupação foram realizados no Brasil até hoje. Sabe-se, no entanto, que como animal territorial, esses felinos habitam espaços que variam entre 10 a 265 km2 ao longo da vida. Os mais comuns são campos, cerrados, veredas e áreas florestais. Há registros de populações que vivem no Pantanal, na Amazônia e na Caatinga. A espécie é quase extinta na Mata Atlântica.

O PARQUE

O Parque Nacional da Chapada Diamantina foi criado em 17 de setembro de 1985 para proteger os ecossistemas da região e assegurar a preservação de seus recursos naturais. O objetivo era proporcionar oportunidades controladas para visitação, pesquisa científica e conservação de sítios e estruturas de interesse histórico-cultural.

A área da unidade de conservação ultrapassa 152 mil hectares e fica no centro do estado da Bahia, abrangendo terras dos municípios de Andaraí, Ibicoara, Itaetê, Lençóis, Mucugê e Palmeiras.

O biólogo-chefe do PNCD, Christian Berlinck, alerta que o parque é fundamental para garantir água aos baianos. "O local é conhecido como a 'caixa d'água' da Bahia. Graças as nascentes que vertem no interior do parque, formando o rio Paraguaçu, que nasce na Chapada Diamantina e deságua no Recôncavo Baiano, existe força e volume d'água suficientes para abastecer cerca de 60% da região metropolitana de Salvador.

Considerado um dos principais pólos de ecoturismo do Brasil, o parque da Chapada Diamantina tem cenários naturais impressionantes. Inúmeras quedas d'água, como a cachoeira da Fumaça, segunda mais alta do país com seus 340 metros, vales, cânions profundos com florestas úmidas em seu interior e picos com mais de 1.500 m de altitude encantam os visitantes.

Além dos atrativos naturais, a herança histórica e cultural do garimpo de diamantes, atividade econômica que deu origem às cidades e batizou a região, também chama a atenção com impressionantes construções e ruínas.

Berlinck lembra que apesar de o parque já ter 23 anos, a regularização fundiária do PNCD ainda não foi realizada e o plano de manejo da unidade, cuja elaboração foi finalizada em dezembro de 2007, ainda não foi publicado no Diário Oficial. "Por esses dois fatores, os atrativos turísticos não são oficialmente abertos à visitação pública e, portanto, não há nenhuma infra-estrutura para a recepção dos visitantes", lamenta.

O biólogo acrescenta que os incêndios florestais, que ocorrem entre os meses de agosto a fevereiro, são o principal problema ambiental do PNCD. "Além desse, os outros danos sérios que o Parque enfrenta são a caça, a mineração, a coleta de plantas, a invasão biológica por espécies exóticas e a pressão da ocupação do entorno", conclui o pesquisador.