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Observatorio de UCs - http://observatorio.wwf.org.br
13/02/2015
Parques nacionais na Amazonia seguem inacessiveis a populacao

A lista não é pequena. Dos 71 Parques Nacionais no Brasil, 19 estão na Amazônia. A maior floresta tropical úmida do mundo, que ocupa 42% do território brasileiro, tem 17,5 milhões de hectares sob os limites de parques nacionais - áreas protegidas que, por lei, podem ser visitadas, embora com algumas restrições. No entanto, apenas dois desses parques estão formalmente abertos à visitação, Anavilhanas e Jaú, no estado do Amazonas.

Ainda falta muito para dotar todas essas duas Unidades de Conservação (UCs) de infraestrutura e assegurar o acesso do público de modo a garantir a preservação das espécies nativas e dos recursos naturais ali existentes.

Segundo Marco Lentini, coordenador do Programa Amazônia do WWF-Brasil, apenas 8 Parques Nacionais têm plano de manejo. O plano é um instrumento essencial para desenvolver atividades como o turismo em uma UC, comentou em entrevista ao Blog do Observatório de UCs.

Para ele, embora seja permitido pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), nem todos os parques na Amazônia precisam ter atividades de turismo. "Antes de tudo, é necessário discutir o objetivo e o benefício em se abrir essa atividades nessas áreas. Talvez a maior barreira seja a ausência de uma estratégia de longo prazo para o uso público das UCs na região. Falta clareza de quais modelos devem ser desenvolvidos", analisou Lentini, que reforça a necessidade de envolvimento de secretarias estaduais de Turismo para fomentar a visitação.

O plano de manejo de uma UC deve incluir a vocação - ou não - de cada parque para o turismo. "Alguns parques realmente são distantes, então precisariam de um grande investimento em infraestrutura para se tornarem viáveis ao público em geral, ou então receberiam apenas turismo de grupos de alta renda, em outro cenário", complementou.

Marcelo Oliveira, especialista de conservação do Programa Amazônia, concorda ao admitir que a maioria dos parques localizados no bioma "ainda não está devidamente preparado para receber visitantes". Em muito se deve à distância, à falta de plano de manejo ou de informações que permitam uma visitação segura, pelo menos. Ainda assim, muitos deles têm recebido visitantes de modo informal.

Dos únicos dois parques de fato abertos à visitação, o PN Anavilhanas pode ser considerado um "exemplo de sucesso". De Estação Ecológica criada em 1981, ele mudou de categoria em 2008 ao tornar-se Parque Nacional. Seu plano de manejo será concluído até maio, assegurou o ICMBio. "Existe forte apoio da sociedade civil e boa estrutura local para receber visitantes. Além disso, possui um acesso razoavelmente fácil de uma capital amazônica, Manaus. Estas condições são aliadas à beleza cênica única das ilhas deste arquipélago", comentou Oliveira.

Ao ser perguntado então o que falta para impulsionar o turismo nestes Parques na Amazônia, Lentini admite que não é por ausência de demanda ou interesse da população de conhecer a floresta.

"Faltam estudos de viabilidade econômica considerando variados cenários, como investimentos em estradas e pistas de pouso. Há também o desafio de repensar o modelo de concessões aos parques, uma vez que requerem muito investimento com pouca garantia de retorno financeiro em curto prazo", ressaltou.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável por administrar as UCs federais, sinalizou o interesse de desenvolver o turismo em Parques como o Juruena, localizado no norte de Mato Grosso e sudeste do Amazonas. Ele já tem seu plano de manejo pronto e estão previstos investimentos da ordem de R$ 100 milhões para abri-lo à visitação.

O turismo, quando organizado, pode favorecer a sustentabilidade econômica de áreas no entorno das UCs com geração de renda local. É o caso do PN Montanhas do Tumucumaque, no Pará. Apesar de já ter seu plano de manejo que inclui o uso público como alternativa de geração de renda a algumas comunidades de entorno, a unidade conta com apenas três gestores para administrar 3.8 milhões de hectares.

"Os parques da Amazônia representam uma oportunidade única de mostrar a sociedade suas belezas naturais e gerar uma sensibilização sobre o valor e importância da biodiversidade, então o turismo deveria ser incentivado", afirmou Lentini. Para ele, o turismo é uma atividade que pode auxiliar bastante a sustentabilidade dessas áreas no longo prazo.

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