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03/02/2017
Parque Caparao fechado e outras quatro reservas federais capixabas em alerta

O fechamento do Parque Nacional do Caparaó para visitações a partir desta sexta-feira (3) visa contribuir para controlar a dispersão do surto de febre amarela. A medida é válida por quinze dias, podendo ser prorrogada por mais quinze.

Em comunicado à imprensa, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela gestão das unidades de conservação federais em todo o País, anunciou que quatro unidades de conservação (UCs) capixabas estão sob estado de alerta devido ao surto: as Reservas Biológicas de Sooretama e Comboios e a Floresta Nacional de Goytacazes, em Linhares, e o Monumento Natural dos Pontões Capixabas, entre Águia Branca e Pancas.

Já o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) já havia decretado, no dia 26 de janeiro, o fechamento de quatro parques estaduais sob sua gestão: Pedra Azul, em Domingos Martins, Forno Grande e Mata das Flores, em Castelo, e Cachoeira da Fumaça, em Alegre. Paulo César Vinha, em Guarapari, e Itaúnas, em Conceição da Barra, bem como outras UCs estaduais, também podem ser fechados, segundo o Instituto.

O fechamento dos parques visa salvaguardar a saúde dos visitantes, da população em geral e da biodiversidade, informam os órgãos ambientais.

Questão de consciência

A medida, no entanto, mostra fragilidades em outras esferas. No caso do Caparaó, o fechamento das duas portarias oficiais de acesso ao Parque não foi acompanhado de medidas de controle e orientação nas dezenas de outros acessos, por propriedades particulares, à mata, seja em áreas dentro da unidade ou no limite dela.

São cerca de 200 quilômetros de entorno, distribuídos em nove municípios, sendo cinco capixabas e quatro mineiros. Tarefa para as prefeituras, proprietários de pousadas e hotéis da região. Os municípios, reunidos com a direção do parque nessa quarta-feira (1), alinharam os protocolos de informações sobre o surto e se comprometeram a orientar os profissionais de turismo a colaborarem.

No Circuito Caparaó Capixaba, que congrega nove pousadas, houve um entendimento entre os pousadeiros sobre a necessidade de ligar para cada um dos hóspedes, ou pretensos hóspedes, para informar sobre a necessidade da imunização com dez dias de antecedência à visita à região. Houve até quem cancelasse a reserva dos turistas que estavam em desacordo com a orientação.

"Estamos telefonando para cada pessoa e orientando", relata Adriana Castro, da Pousada Vale das Quaresmeiras, em Dores do Rio Preto, uma das integrantes da Associação Circuito Caparaó Capixaba. "É uma questão de consciência individual, mas que a gente tem procurado reforçar", alega a pousadeira.

Um número muito maior de pousadas, porém, está fora da Associação e não se tem um controle ou uma orientação mais próxima para que essa atitude de prevenção seja tomada. E não se trata apenas de consciência individual, mas de senso de colaboração com a saúde pública.

Vírus não chegou mesmo ao litoral?

O Caparaó recebe visitantes de várias partes do Estado e do País. Se uma pessoa não vacinada é picada pelo mosquito transmissor do vírus, mesmo que ele não desenvolva a doença, ele passa a ser um hospedeiro e pode levar o problema para sua cidade de origem, quando retornar.

No caso da gestão estadual do surto, fica difícil entender porque três UCs federais linharenses já estão sob alerta e o município de Linhares ainda não consta na lista dos 60 municípios que estão recebendo a vacinação cautelar, tendo sido feita uma pequena imunização na cidade, voltada a quem vai viajar para áreas de risco.

Tais contradições e lacunas mostram a morosidade do Estado, que, neste caso, se converte em ineficiência e ameaça à saúde pública. Enquanto diversos especialistas alegam necessidade de imunização maciça em todo o Espírito Santo, o governo estadual solicitou, até o momento, apenas 2,5 milhões de doses da vacina, bem abaixo da população de 3,88 milhões, sem contar os turistas que por aqui estão durante o verão.

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