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12/01/2010
Ilha de Algodoal esta abandonada

Montes de lixo, começo de ocupação ilegal, crimes ambientais e superpopulação em alta temporada. Os problemas observados em metrópoles acometem um cenário antes paradisíaco, a Ilha de Algodoal. De acordo com as denúncias da Organização Não-Governamental (ONG) Suatá, formada por admiradores e moradores do local, a ilha está abandonada pelo poder público. Na última semana do ano, 17.000 pessoas circularam nas praias do arquipélago e deixaram montanhas de lixo, recolhidas apenas uma semana após o réveillon. Além disso, terrenos estariam sendo desmatados por invasores vindos de outros municípios do Estado. Os novos habitantes atualmente escolhem o nome do novo vilarejo: provavelmente 'Nova Nazaré'.

Guto Braga, membro da Suatá, visita a ilha desde 1974. Para ele, os principais culpados do descaso com a praia é a prefeitura de Maracanã e Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). 'Sabemos que o lixo não vai para Maracanã. Acreditamos que ele esteja sendo despejado nas dunas e em covas enterradas na areia. Quando a maré sobe, o entulho dos buracos fica no mar e é espalhado até a porta das residências', afirma.

O problema com a coleta de lixo já é antigo e também é alvo de críticas. Em 2008, a ONG formalizou uma ação civil pedindo o afastamento do prefeito de Maracanã, Agnaldo dos Santos (PMDB), em razão da ausência dos serviços de recolhimento dos entulhos, baseada em uma recomendação do Ministério Público Federal que atestava o mesmo problema e sugeria que ele deixasse o cargo.

A grande quantidade de visitantes também agrava o problema do lixo em Algodoal. 'Ela tem infraestrutura para receber tantas pessoas. Nós sugerimos que o número de travessias de barco fosse restrito, pois um dos motivos que fazem as demandas por limpeza serem altas é a grande quantidade de turista sem a consciência ambiental', destacou.

Atualmente, a ilha sofre ainda com as invasões de terra. Promovido pelos invasores, por vezes de outros municípios, o desmatamento crescente estaria sendo incentivado por comerciantes da ilha. O pedaço explorado pelos ocupantes teria um tipo de solo adequado para a construção de pousadas e prédios, que serviria para uma futura especulação imobiliária. 'Tem gente vindo de Castanhal e Marituba invadir. Sabemos que estão sendo aguardados cerca de 50 a 100 pessoas nos próximos dias para continuar a ocupação', disse.

A Ilha de Algodoal é considerada pelo governo estadual uma Área de Preservação Ambiental (APA). Como principais funções do estado estão conservar os recursos naturais e qualidade de vida da população local. A técnica de meio ambiente da Sema, Joyce Lameira, que respondeu pela gerência da APA de Algodoal-Maiandeua até o final do ano passado, alegou que a responsabilidade da coleta de lixo é do município. 'Nós sabemos que eles de vez em quando descuidam da coleta, sobretudo quando mais é necessário, como em festas e data comemorativas', disse.

Corte de despesas prejudicou planejamento, diz técnica
Joyce Lameira atribuiu a paralisação de projetos de planejamento para a APA às medidas de contingenciamento do governo estadual, iniciadas em meados do ano passado. Dos R$ 44.000 mil anuais disponibilizados em 2008, restaram apenas R$ 25.822,65 a serem gastos durante 2009. 'Não temos como assumir a coleta de lixo, mesmo porque é o município que deve cuidar dela. Em razão do corte das verbas, demos prioridade ao plano de manejo no ano passado e esse ano vamos tentar concluir ele, além de investir na educação ambiental nas escolas da ilha', explicou. 'Os próprios comerciantes da ilha não se sentem responsáveis pelos resíduos que produzem. Durante um tempo chegamos a distribuir as sacolas, pois muitos não se davam nem ao trabalho de comprar e colher o próprio lixo' completou.

Sobre o desmatamento gerado por invasores, a função de controlar seria da Gerência Regional de Patrimônio da União (GRPU), uma vez que as terras recentemente invadidas pertenceriam à União. 'Eles é que devem fazer o reordenamento da terra. Ali encontramos várias situações, pessoas que já vivem há mais de dez anos no local e desenvolvem uma atividade econômica, é preciso negociar antes de expulsar simplesmente', afirmou.

A reportagem tentou contatar a Prefeitura de Maracanã, mas até o fim da tarde de ontem, não teve sucesso.