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A Tribuna-Rio Branco-AC
03/10/2003
Floresta Estadual do Antimary tera base cinetifica do CNPq

A Floresta Estadual do Antimary está se consolidando como a região mais estudada da Amazônia. São mais de 66 mil hectares com uma das maiores biodiversidades de toda a região. O secretário de Planejamento, Gilberto Siqueira fez uma visita à sede do Projeto Antimary (executado pela Funtac - Fundação de Tecnologia do Acre) com a direção do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) que promete mudar estruturalmente a forma como o Brasil e o mundo analisam o potencial econômico local.

A intenção do Conselho é montar uma base científica na Floresta Estadual do Antimary para auxiliar nas pesquisas de 10 doutorandos de todo o país. Estudantes de todas as universidades e centros de pesquisa do Brasil poderão desenvolver estudos sobre biotecnologia, biodiversidade e impactos ambientais e sociais. "A união do Governo do Estado do Acre com o CNPq serve para mostrar os problemas acreanos com soluções acreanas e isso pode servir de modelo para outras regiões da Amazônia", avaliou o presidente do conselho Erney Camargo.

Na primeira quinzena do mês de novembro, o governador Jorge Viana assina documento que permitirá a construção dessa unidade de pesquisa do CNPq na Floresta Estadual. "Com a presença do CNPq aqui, vamos comprovar o potencial econômico e social feito pelo melhor grupo de pesquisa do Brasil", disse o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável, Gilberto Siqueira. Mesmo sem a presença do Conselho, a sofisticação das pesquisas já existentes feitas pela Funtac em parceria com outras instituições já demonstra a complexidade dessa união e o grau de detalhamento dos aspectos físicos da floresta. Com imagens feitas por satélite, os pesquisadores da Fundação de Tecnologia têm a possibilidade de fazer um mapeamento por espécie de árvores a serem usadas comercialmente.

O requinte é tamanho que no "talhão" (área de até 100 hectares) cada árvore pode ser localizada, inclusive com o diâmetro especificado. Essa explicação foi transmitida ao presidente do CNPq, quando da visita feita à Floresta para orientar ao o processo de "manejo madeireiro de baixo impacto". Essa tecnologia permite que sejam retiradas do "habitat natural" apenas as árvores que estão realmente em condições de sair do ambiente sem causar nenhum desequilíbrio. "Atualmente, são três empresas consorciadas que fazem o manejo madeireiro na Floresta Estadual do Antimary", afirmou o presidente da Funtac, César Dotto. Toda as árvores que podem ser exploradas sob o processo de manejo são registradas em uma espécie de inventário e recebem uma pequena placa de metal com todas as informações necessárias para o manejo.

O grupo de cientistas e parte da equipe da Funtac e da Seplands foi ao local onde será construída base científica do CNPq. O local tem acesso difícil. Não há estradas. Só é possível chegar ao local por barco em um arriscado trajeto pelo rio Antimary. Os paus e árvores caídas ao longo do rio mostram como a natureza mantém um equilíbrio quase intocado pela ação humana.
(-A Tribuna-Rio Branco-AC-03/10/03)