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21/02/2008
Expedicao coleta cerca de 900 especies da flora do Cristalino

Cerca de 900 espécies da flora do Parque Cristalino foram coletadas durante expedição de campo realizada este mês. As amostras serão encaminhadas para três herbários e a partir daí será elaborado um mapa da vegetação e a atualização da lista das espécies da flora.

Superintendente de Biodiversidade da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Eliani Fachim, enfatiza que este trabalho será de grande utilidade para o Plano de Manejo do Parque Cristalino e das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs). Ela destaca que a Sema terá uma base mais segura tanto para o Plano de Manejo como para o zoneamento dessa unidade de conservação.

O trabalho de mapeamento da flora é feito por vários parceiros, entre eles a Fundação Ecológica Cristalino, Royal Botanic Gardens, Kew (Reino Unido) e Fauna & Flora International, Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT-CUAF), Rio Tinto e Sema.

A coleta das espécies durou três semanas. Foram a campo três integrantes do Kew - Willian Milliken, Daniela Zappi e Nicola Biggs - três servidores da Sema - o gerente de Política de Cerrado, Elton Antônio Silveira, o gerente do Parque, Martinho Philippsen e o agente ambiental Marcos Antônio Bessa -, a integrante da Fundação Cristalino, Denise Sasaki, e o representante da Prefeitura de Alta Floresta, José Hipólito Piva. Também participaram da expedição dois acadêmicos, um da Unemat e outro da UFMT, que tiveram a oportunidade de se capacitarem.

As espécies coletadas passam agora por um processo de secagem e serão encaminhadas para os herbários da Unemat, do Museu da Universidade de São Paulo (USP) e para o Kew e serão analisadas por especialistas visando a identificação das espécies. O gerente de Política do Cerrado da Sema destaca que entre os objetivos deste trabalho está o de ter a relação da biodiversidade da flora e as novas ocorrências. Ele enfatiza que a área possui uma variação ambiental muito grande e este levantamento representa avanço em termos de qualidade e quantidade.

Levantamento anterior

A superintendente de Biodiversidade da Sema ressalta que um diagnóstico anterior da flora, fauna, unidades vegetacionais, recursos hídricos já foi realizado quando da criação do Parque e que já existe uma versão preliminar do plano de manejo. Agora, com recursos do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA), será elaborado o Plano de Manejo final. O processo está na fase de contratação de uma consultoria.
Fachim enfatiza que o plano de manejo é fundamental para o ordenamento da área, para criação de diretrizes e programas, como de educação ambiental, uso público, fiscalização e o de pesquisas para conservação.

O levantamento da fauna, segundo a superintendente, vai proporcionar também que a Sema tenha conhecimento exato de quantas espécies existem e onde elas estão. Com o cruzamento dos dados da fauna e flora é possível diagnosticar quais regiões e espécies estão ameaçadas e, com isso, até mesmo restringir o acesso de turistas a tais áreas, que permanecerão indicadas para a pesquisa.

O Parque Cristalino

O Parque Cristalino está localizado no extremo Norte de Mato Grosso, nos municípios de Alta Floresta e Novo Mundo, numa área de 184.900 hectares. Possui uma posição considerada estratégica na preservação da floresta amazônica, uma vez que situa-se no chamado 'arco do desmatamento da Amazônia'.

Possui grande importância pela biodiversidade excepcional e potencial turístico. Desde meados da década de 90, a área vem sendo objeto de diversas pesquisas, que identificaram uma grande diversidade de fauna e flora, com ênfase especial nas aves, com mais de 500 espécies já catalogadas. A diversidade de habitat também chama a atenção. O Parque conta com seis comunidades naturais distintas: o Rio Cristalino, a floresta de igapó, a floresta de terra firme, a floresta estacional semidecidual, os afloramentos rochosos e campos rupestres, e os campos inundáveis (varjões e buritizais).