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11/08/2018
Area que ja abrigou 50 fornos de carvao hoje e a maior floresta de caatinga do Nordeste

Área que já abrigou 50 fornos de carvão hoje é a maior floresta de caatinga do Nordeste
11/08/2018

Unidade de conservação está localizada entre os municípios de Contendas do Sincorá e Tanhaçú

Uma área equivalente a mais de 11 mil campos de futebol e que por mais de uma década foi alvo de desmatamento para produção ilegal de carvão ressurge no Sudoeste da Bahia como a maior floresta do bioma caatinga do Nordeste, após 19 anos de recuperação da fauna e da flora nativa.

A unidade de conservação localizada entre os municípios de Contendas do Sincorá e Tanhaçú se chama Floresta Nacional Contendas do Sincorá e abriga mais de 100 espécies de pássaros, alguns deles endêmicos da caatinga, a exemplo do pássaro papa-moscas do sertão, e cerca de 50 mamíferos, como onças, caititus e veados.

Agora, com ao menos 75% da área degradada pelas carvoarias recuperada em sua integridade, a área ambiental abre as portas à visitação científica e ao turismo de aventura e contemplação por meio de um complexo de trilhas antes usadas como rota de escoamento da produção ilegal de carvão dentro da mata.

Fornos
O local chegou a abrigar cerca de 50 fornos ilegais, um problema que ainda ocorre na região próxima à unidade de conservação e em outras áreas do Sudoeste da Bahia, além da Chapada Diamantina e com mais intensidade no Oeste baiano, onde a produção de carvão alimenta siderúrgicas de Minas Gerais.

A área antes a fazenda Extrema, que passou pelas mãos de grandes empresas, como a mineradora Magnesita e a Itaminas S.A, responsável por negociar com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a troca da fazenda por créditos de reposição florestal para sanar o passivo ambiental.

Além de recuperar a área degradada, a Itaminas realizou obras estruturantes na área, como a reforma da fazenda, hoje a sede do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), atual responsável pela gestão da unidade de conservação, a construção de uma casa para funcionários e a perfuração de um poço artesiano para abastecimento.

"Hoje ainda tem esse problema dos fornos ilegais em outras áreas fora da unidades, não encontramos mais depois que estamos atuando de forma intensiva na região", declarou o chefe da Floresta Nacional Contendas do Sincorá, Erismar Novaes, informando em seguida que os fornos ainda em pé hoje em dia servem como abrigo temporário para onças e outros animais de médio porte.

"Corriqueiramente, vemos vestígios desses animais nos fornos desativados", afirmou. Ele disse que só não é possível afirmar que a área está 100% regenerada porque algumas partes são compostas por vegetação de médio porte, o que leva a dúvida se está dessa forma por ser uma predominância ou se está em fase de desenvolvimento.

Segundo Novaes, as informações sobre a área degradada pela atividade intensiva da produção ilegal de carvão não estão disponíveis, por serem muito antigas. O que se sabe é que a atividade irregular fez virar carvão muitas árvores nativas da caatinga, como aroeiras, baraúnas e umburanas.

Trilhas
Criada em 21 de setembro de 1999, a área está sob a gestão do ICMBio desde 2007, quando o órgão foi criado e ficou responsável por gerir, fiscalizar e monitorar as unidades de conservação federal. De lá para cá, ações vêm sendo realizadas junto a comunidades locais para favorecer a conservação da unidade.

Uma dessas ações são os passeios pelas trilhas, as quais possuem tamanho variado, indo de 1 km até 10 km. São boas opções tanto para caminhadas como também para a prática do ciclismo, sobretudo pelo fato de o relevo da unidade de conservação ser quase plano, o que favorece a menos desgaste corporal.

Apesar de não haver rios caudalosos com cachoeiras, a região possui vários locais de acúmulo de água, usados por animais. A melhor época de visitação é entre os meses de novembro e dezembro, de mais chuvas.

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